A que ponto nós
cristãos nordestinos chegamos de querer "imitar" o que é nosso, o que
tá no nosso sangue, na nossa veia, no ar que respiramos, no nosso sotaque, na nossa comida...
Hoje, eu sei o que
é que o filósofo Paulo quis dizer ao falar de arte comunicativa dentro da igreja.
Dizendo "falai entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais", enchendo-se desse modo da Palavra de Cristo(Colossenses3.16), Paulo estava dizendo: façam o Evangelho parte da cultura de vocês, a forma de vocês poetizarem, cantarem sejam autênticas.
Entende-se para o que se lê em "cânticos espirituais"
, principalmente esta parte "espirituais", não como algo
sobrenatural, pentecostal, de êxtase, de choramigueiros, de mantras,(...) mas algo tão
natural que esquecemos de seu valor. Espiritual quer dizer "de dentro para
fora", "do interior", "do ser", "da
unidade", "do inteiro", "do ventre"(...). Cantar
espiritualmente significa "com todo nosso ser", "com tudo que
temos e que somos".
O cântico se torna
espiritual quando cantamos ao nosso modo de ser. Se somos nordestinos e
cantamos como não nordestinos, não cantamos um cântico espiritual. Tudo
isso nos leva a refletir sobre a nossa identidade cristã a despeito da Palavra
de Cristo. Impressionante o que Paulo nos diz com palavras tão simples.
Tornem a Palavra de Cristo tão
abundantemente espontânea, natural, cultural, como a maneira de ser de vocês.
Desse modo, a nossa maneira nordestina de ser pode ser verdadeiramente moldada.
Como dever ser um autêntico nordestino moldado pela Palavra de Deus? Será que
com uma Bíblia de capa de couro?
O que acontecesse é
que queremos inventar uma maneira de ser, de se vestir, de se cantar, de se
louvar, de se andar, de se poetizar, de se tocar,(...) que não é nossa. Usando
A Palavra de Cristo apenas como um meio de esteriótipo de
"religiosidade".
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